domingo, 16 de abril de 2017

Redenção



Na Páscoa, ocorre a redenção. Uma ressurreição da alma primitiva. Um passo mais neste trajeto variado, trôpego e sinuoso, em que seguimos por atalhos ingénuos, sobre obstáculos tamanhos e por desvios do trânsito reto. De alfa a ómega, perdemo-nos por todas as letras do alfabeto em que nos lemos gregos. Contudo, chegamos. Variadamente chegamos

Crer é ter esperança de que querer sucede. De que podemos... se. Na verdade, a perfeição tangível não é a ausência de pecado, mas a procura sincera da Graça. Engana-se o homem que supõe em si a capacidade do serviço constante da consciência e, além dele, do exercício pleno da doutrina. Isso não significa uma resignação com o pecado: corresponde à condição humana, imperfeita e limitada.

Na luta que dentro de nós damos, entre a tentação e o sacrifício, ganhamos quando a fé persiste e perdemos quando a fé amolece. E, quando caímos, cada hora é de ressurgir na fé e de reerguer a vontade sobre o prazer. A quietitude fica para o encontro final. Até lá, importa assumir a convicção cristã e trabalhar no serviço dos homens para a glória de Deus.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Geração Florzinhas de Estufa


«You are not special. You are not a beautiful and unique snowflake.» 



Por interesse cultural e ofício de professor, tenho refletido muito sobre marketing geracional, isto é, o estudo dos valores e comportamentos próprios de cada geração, e pedagogia consequente com essa distinção. A ideia de geração é de cada coorte é marcada por acontecimentos que se derem na adolescência e juventude e que os marcam para o resto da vida, gerando uma atitude própria que tende a manter-se independentemente da idade.

O caso dos distúrbios de Torremolino pelos jovens do ensino secundário em viagem de finalistas nas férias da Páscoas, referido nesta excelente crónica do Prof. Pedro Afonso, no Observador, de 12-4-2017, justifica uma reflexão profunda por parte de pais, educadores e Estado. Não é apenas o excesso do rito de passagem - que as viagens de finalistas são - que preocupa. Mas a relação dos jovens com os pais, os educadores, as instituições e o Estado.

Creio que a melhor designação da geração nascida em 1995 e depois (e que tem agora 22 anos ou menos) é a de Geração Florzinhas de Estufa. Há um excesso de preocupação com o seu bem estar emocional pelos pais e educadores. Criam e mantém os jovens em estufas de auto-estima, como florzinhas delicadas em ambiente, umas "safe zones" que só permitem medrar em condições ótimas de pressão e temperatura. O resultado é uma geração impreparada para enfrentar a dureza e impiedade da vida.

Este nome de Florzinhas de Estufa, que proponho, parece assentar melhor do que Flocos de Neve (Snowflakes), que se vai consolidando nos EUA, sobre outros nomes equívocos: Nativos Digitais, Geração da Net (Net Gen), Geração Tecnológica (Gen Tech), iGeração (iGeneration), Geração das Consolas (Gen Wii), Plurais, e até Geração Z. As fontes de informação são abundantes e não existe um consenso sobre quando começa e quando acaba cada geração. Todavia, pode arriscar-se uma divisão adequada à circunstância portuguesa e europeia: Geração dos Maduros ou Tradicionalistas (1930-1945); Geração do Pós-Guerra ou baby-boomers (1946-1963); Geração X (1964-1977); Geração Y dos Milenários-Millennials (1978-1994) e Geração Z (1995-?).

Entre outros, têm sido referidos vários factos identitários desta geração:
  1. emocionalmente muito frágeis, sentimentais e facilmente deprimidos;
  2. individualistas;
  3. empreendedores;
  4. desfocados;
  5. multi-tarefas;
  6. ambiciosos;
  7. ousados;
  8. competitivos;
  9. procuram o grátis e custos baixos;
  10. começam mais cedo a trabalhar e conciliam estudos com o trabalho (arrastando a conclusão dos cursos...);
  11. menos consumidores de drogas e álcool do que a geração anterior, mas maior excesso dos consumidores;
  12. espontâneos e instantâneos;
  13. fiéis a marcas;
  14. estilosos;
  15. globalistas;
  16. viciados em jogos digitais;
  17. permanentemente em linha;
  18. inocentes;
  19. gostam mais de videos, fotos e memes, do que postes e textos;
  20. música, música, música;
  21. direto e imediato, em vez de editado ou passado;
  22. mais Instagram, Whatsapp e Snapchat, do que Facebook ou Blogger;
  23. horror a atividades «chatas»;
  24. hoje!, hoje!, hoje!;
  25. prazer, e não frugalidade nem temperança;
  26. menos trabalhadores;
  27. procastinadores;
  28. zelosos com o seu tempo, que querem dedicados a atividades que lhes tragam prazer;
  29. maior interação virtual, consumo de serviços e experiências; do que comunicação face-a-face e acumulação de produtos (coisas).
  30. mais utilizadores do que possuidores, mais renda e aluguer do que compra;
  31. informais;
  32. privados na informação pessoal;
  33. ausentes dos meios coxos não interativos (televisão, rádio, 
  34. rústicos nas roupas e adereços, nas mobílias e espaços (hostels em vez de hotéis, Primark em vez de Zara, Lx Factory em vez de centros comerciais luxuosos);
  35. adoram viajar e aventuras de novas atividades e lugares;
  36. desprezam a política;
  37. desligados das instituições tradicionais;
  38. sozinhos, auto-educados por permissividade ou ausência dos país;
  39. menos relativistas do que os antecessores, ainda perdidos, mas à procura de direção e valores.
  40. embriões do pós-relativismo.
Este catálogo de atributos, que arrisco, são paradoxais, mas expressam a contradição a que esta nova geração está sujeita. Vivemos tempos de fim de uma era relativista, totalitária, ainda sujeitos à ditadura do politicamente correto que está em estertor e por isso é mais violenta. A fragilidade dos nossos jovens é o resultado da educação «politicamente correta».

Há sinais preocupantes de falta de preparação desta geração. Mas a comodidade será infelizmente resolvida pela guerra que vivemos e que as eliters desprezam. Até que a guerra híbrida das ruas, ainda morna, aqueça, será útil que o ambiente mediático relativista, os pais e os educadores e as autoridades (nomeadamente, nas regras de consumo de álcool e drogas!) não podem deixar de ser... pais e educadores e autoridades! Nem os jovens desprezarem a sua responsabilidade. Contudo, nesta nova geração, o saldo de qualidades sobre defeitos é positivo, principalmente para a construção de uma nova era pós-relativista.


Atualização: este poste foi atualizado às 11:52 de 16-4-2017 e às 9:52 de 17-4-2017.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Páscoa: martírio e combate



Ontem, 9-4-2017, Estado Islâmico da Síria e do Levante atacou duas igrejas no Egipto durante a celebração do Domingo de Ramos, através de bombistas suicidas, matando 44 cristãos e ferindo mais de uma centena. Os atentados foram perpetrados na Catedral de São Marcos em Alexandria (cuja missa estava a ser transmitida, em direto, na televisão egípcia quando ocorreu a explosão)  e na Igreja de São Jorge, em Tanta, ambas no Egipto. Lembrei-me da anáfora do padre Lereno, na Rádio Renascença dos perigosos tempos pós-revolucionários: «Cristo é crucificado hoje!». É: a Páscoa chegou mais cedo... A morte teve uma vitória, temporária.

São atentados lá longe, que o racismo cínico despreza: os 5 mortos da Suécia provocaram mais notícias e consequente indignação do que os 44 do Egipto... Noticiar massacres de cristãos é politicamente incorreto... 

O genocídio e a limpeza étnica dos cristãos - coptas, maronitas, gregos-melquitas, siríacos, caldeus e arménios - do Médio-Oriente continua no Egipto, depois do Líbano, do Iraque e da Síria. Os cristãos foram os sacrificados da aventura geopolítica norte-americana e europeia de regime change, para travar a influência iraniana. Como se o desastre iraquiano nada tivesse ensinado a Obama e aos líderes europeus, que fomentaram as chamadas «primaveras árabes» que devastaram os países em guerras civis de iniciativa sunita radical e abandonaram os cristãos ao azar do martírio. A guerra na Síria tem origem não apenas no financiamento dos países sunitas da Arábia, mas também no apoio militar norte-americano.



Putin aproveita o vazio e o medo, alargando as fronteiras russas na Europa, alcançando a velha ambição de chegar ao mar quente através da aliança ruso-chiita com o Irão, os 65% de iraquianos chiitas, a Síria dos alauítas de Assad e o Líbano do Hizbala - até com o novo sultão Erdogan (ao modo do Imperador Ivan III. Não se contenta com isso, e influencia as eleições norte-americanos, com chantagem sobre a administração Trump, enquando financia, e ajuda na informação, a extrema-direita europeia. Uma extrema-direita fascinada com o autoritarismo de Putin e esquecida de que este é... russo.



Nada de novo. Em 1978-1979, Giscard d'Estaing, ávido do controlo do petróleo pérsico por empresas francesas, e depois, James Carter, um pacifista ingénuo, descalçaram os militares e aliaram-se ao manhoso aiatola Khomeini, arriscando a o apoio ao clérigo que desencadeou a revolução islâmica no Irão. O Próximo-Oriente ficou mais longe, e atolado em conflitos étnico-religiosos.

A desumanidade do Islão radical tem de ser revertida. É necessário promover a reforma do Islão, atualizando a doutrina bélica original do Corão e dos Ditos para uma versão pacífica e respeitadora dos crentes de outros ritos e religiões e dos não-crentes. Um combate cultural e político para enfrentar a guerra híbrida das ruas europeias e das redes de comunicação mundiais. Em vez da negação da ameaça da ideologia radical e da expetativa de que os serviços de informação e as polícias resolvam o problema, investigando virtualmente e detendo umas dezenas de indivíduos... É uma patetice, pensar que o mal se limita ao isolar meia dúzia de árvores contaminadas, negligenciando a moléstia que afeta a floresta. Para lá da repressão dos atentados, é a ideologia que importa combater. Islão significa «submissão» - a paz da doutrina fundamentalista é uma falácia.

E não se pode esperar que sejam os governos dos países do cordão islâmico, que está a apertar a cintura do globo até rebentar, porque são eles mesmos poderes quem promove a leitura radical dos textos fundamentais como instrumento político de domínio do povo e ameaça dos países adversários. A reforma cultural deve desenvolver a exegese pacífica da doutrina e resolver o nó-górdio do conflito islâmico com o norte do globo: a emancipação da mulher - como indica Bernard Lewis.  Só com a reforma religiosa do Islão e a reforma cultural das sociedades agora sujeitas a ditaduras de comportamento em que a mulher é um ser inferior e o não-crente um subalterno, se pode vencer a III Guerra Mundial em curso.

O padrão de governo não pode ser o califado com uma sociedade civil submissa. A reforma do wahabismo, versão do Islão que a Arábia incentiva - comparada à Reforma luterana -, acentuou a severidade fundamentalista da doutrina. A reforma religiosa será um meio de laicização da sociedade muçulmana, com o poder político separado do poder religioso, com liberdade de culto e de vida, com a ciência, a cultura e as artes, alforriadas do grilhão arcaico, a economia a renascer e o bem estar a emergir.

Um combate cultural e político do Ocidente contra o Islão radical, semelhante ao que derrubou o poder comunista no mundo. No mundo... à exceção de Portugal, aparentemente esgotado pela mama da cobra comunista que nos vai infestando as fazendas, engolindo os valores e estrangulando a liberdade...

domingo, 26 de março de 2017

A necessidade de refundação da direita portuguesa



A convição esquerdista nos costumes não é o único mal das direções atuais do PSD de Passos Coelho e do CDS da delegada Assunção Cristas. Sem efeito, os jotas eternos poderiam crer nas barrigas de aluguer, no aborto livre, na adoção de crianças por casais homossexuais, no casamento homossexual, na eutanásia e na liberalização das drogas... Mas essa convicção íntima, de modernidade, de finesse politicamente correta - assim à moda de Teresa Leal Coelho, mas sem doideira -, não tinha de ser aplicada, tendo em conta o posicionamento conservador do povo da direita. Até porque a conjuntura internacional mudou e o totalitarismo do politicamente correto está moribundo.

O problema maior é a ideia entranhada nos políticos profissionais da direita de que se não recolhem a preferência dos cidadãos é por causa de não serem suficientemente iguais ao adversário nos costumes liberais. Essa ideia tacticista enleva os aparelhistas dos partidos da direita à histeria coletiva de adesão techno aos valores da esquerda radical, ao mesmo tempo que se esforçam a tentar demonstrar que são mais austeritários no Governo. O que também não agrada ao povo, que tem a memória mais viva do aperto da troika do que do despesismo socratino.

Ora, quando a esquerda radical, sucede, pela manha costista, em manter o pagamento de salários, pensões e subsídios, em reduzir o défice orçamental face ao PIB em 2016 para 2,06%, e com a economia a andar até acima da média dos países do euro (1,9% de crescimento homólogo no último trimestre de 2016), se a proposta de costumes é a mesma, o que resta de posicionamento diferente de PSD e CDS?... Noves fora, nada.

A direita portuguesa precisa de uma refundação: uma inequívoca proposta política conservadora nos costumes e uma prática política anticorrupção.


* Imagem picada daqui.

sexta-feira, 24 de março de 2017

10,75%!?...

"Caixa paga 10,75% pela emissão de dívida perpétua", Jornal de Negócios, 23-3-2017.

A bancocracia costista obriga o contribuinte a pagar um juro de 10,75% pelos 500 milhões de euros de obrigações da CGD, em vez de pagar, por exemplo, 3% se fosse consentido ao pequeno e médio aforrador (que recebe um juro de 1% nos depósitos a prazo da banca nacional) aceder à compra desses títulos. Motivo: não desviar dinheiro dos depósitos a prazo de outros bancos e... da própria Caixa!...

domingo, 19 de março de 2017

O horror do aborto seletivo

O horror do aborto seletivo por causa do sexo da criança ganhou uma justificação médica politicamente correta nos países ocidentais. Segundo o Mail Online, de 18-3-2017, afirmou a Dra. Wendy Savage (!...), perita ética (?!...) da British Medical Association, que a lei britânica que proíbe o aborto para escolha do sexo deve ser alterada, pois a saúde da mãe será afetada se for forçada a ter um bebé do sexo género errado e convém evitar à criança o sofrimento de ser indesejada... Mesmo essa norma legal é inútil: a mãe pode invocar outro motivo. A justificação ética favorece o aborto seletivo por causa do sexo da criança, Às seis semanas de gravidez, logo na primeira ecografia, muitos bebés vão ter o destino do esgoto traçado, apenas por se situarem do lado errado do útero.

O eugenismo tornou-se outra vez, depois do nazismo, doutrina oficial: foi adotado pelo totalitarismo do politicamente correto. Um admirável mundo novo de designer babies com os genes certos, obtido pelo aborto, pela manipulação genética e pela eutanásia. Uma cultura de morte.

sábado, 18 de março de 2017

Teste do algodão de pertença ao sistema


Recomendo a leitura da crónica de Alberto Gonçalves, no Observador, de 18-3-2017, «O comentador de "direita": uma profissão de futuro».

Quem são esses comentadores de direita? Críticos q.b., modo português suave, brandinhos. De cócegas, de cócoras, de bruços. Colabos avençados, sempre à cata de um tacho na quinquilharia do socialismo corrupto. Bobos pagos para catarse do fausto do castelo.

Tempo houve em que o teste do algodão, o contract killing, para se abrirem as portas do céu dos média de confiança e depois do poder, era afirmar que acreditavam na inocência de Paulo Pedroso. Agora, é mostrar solidariedade com o «engenheiro» Sócrates pela demora na acusação do maxiprocesso Marquês (28 arguidos até ao momento), uma demora causada pelos próprios envolvidos ao girarem o dinheiro por paraísos fiscais com tradição de dificultar a resposta a cartas rogatórias de autoridades de outros países. Uma espécie de benefício do infrator: o beneficiário do esquema faz circular o dinheiro recebido por vários países fiscais para lavá-lo, apagar o rasto e possibilitar a prescrição com a prevista demora sucessiva dos paraísos fiscais em fornecer informação bancária, além dos recursos e petições que apresenta e que originam adiamentos no processo; e depois quando apanhado (quando é!) queixa-se do suposto suplício a que é sujeito pelo atraso da acusação, quando usufrui da liberdade que o garantismo politicamente correto lhe consente.

O melhor teste de algodão de pertença ao sistema corrupto é chamar «engenheiro» a quem não é, nem nunca foi. Um homem responsável, não apenas pelos milhões alegadamente recebidos, em parte já apurados na operação Marquês, mas pela ruína que provocou à Nação: o suicídio de insolventes, falidos e desempregados, a morte de doentes com cirurgias adiadas por subfinanciamento de hospitais, a dor de doentes sem dinheiro para remédios, a fome de crianças e velhos, as famílias destroçadas pela insuficiência económica, a desistência da universidade de estudantes com pais desempregados, os sonhos evanescidos dos jovens, o sofrimento de um povo sem presente nem, ainda, futuro sofrível.

Não têm vergonha? Nenhuma: são donos do mundo. Proclamam da tribuna dourada: coitadinho do tirano que sofre o horror da lei!

No fim das contas que os sistémicos, de direita e de esquerda, fazem aos ganhos previstos em cada vez que se vendem, as vítimas - abusadas, mortas, doentes, famintas, insolventes, desempregadas, isoladas, ignorantes e miseráveis - da corrupção política não têm o direito à dignidade da justiça, de proteção nem de compensação. Quem tem direito à indignação mediática são os arguidos poderosos da ficção em que virtualmente nos arrastamos.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): as entidades referidas nas notícias dos média, que comento, enquanto arguidas gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de sentença condenatória.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Aos costumes dizem... nada!

Os motivos pelo qual o povo conservador, da direita e do centro, deve votar no PSD de Pedro Passos Coelho (ou no nuancé CDS de Assunção Cristas):
  1. É a favor do aborto.
  2. É a favor do casamento homossexual.
  3. É a favor da adoção de crianças por casais homossexuais (defende que as crianças só devem ter direito legal a um pai ou a uma mãe).
  4. É a favor das barrigas de aluguer.
  5. É a favor da ideologia do género.
  6. É a favor do consumo legal de drogas.
  7. É a favor da eutanásia.
  8. É mais austeritário do que António Costa.
O último ponto faz toda a diferença! Isso dos valores não interessa nada!... A ditadura do politicamente correto está moribunda na Europa e nas Américas, mas tem na direita dos interesses portuguesa quem a defenda e a promova. Os resultados das sondagens são medíocres, mas logo melhoram se o povo reacreditar. O socialismo liberal de Coelho e de Cristas é melhor do que o PS...


segunda-feira, 6 de março de 2017

Mixórdia amarga

A peça «Procurador suspeito de corrupção emprestou dez mil euros ao juiz Carlos Alexandre», do Público, datada de 2-3-2017, compara o juiz Carlos Alexandre a... José Sócrates! Tal como Sócrates, Carlos Alexandre também teria «afinal» (!...) um amigo rico, apesar do que tinha contado em entrevista à SIC, de 8-9-2016: «eu não tenho amigos, amigos no sentido de pródigos»!... O socialistémico JN, em e-3-2017, é ainda mais torcido: «Carlos Alexandre obteve empréstimo de amigo suspeito de corrupção». E aí rola o sistema a falácia da culpa por associação.

O Público não insinua: diz que os investigadores da Operação Fizzna qual ex-procurador «Orlando Figueira é suspeito de ter sido pago por Manuel Vicente, hoje vice-presidente angolano, para arquivar dois processos que o incriminavam», e que foi recentemente «acusado dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais, violação do segredo de justiça e falsificação de documento», «descobriram» (!...) que o juiz de instrução que decretou a prisão preventiva de José Sócrates e tem sido um cruzado da justiça contra a corrupção de Estado, «sempre tem um amigo pródigo» (sic)!...

Custa a crer que os polícias e os procuradores da Operação Fizz tenham escrito que o juiz Carlos Alexandre tivesse um «amigo pródigo». Portanto, a peça do «jornalismo trash», em que o José classifica o novo Público, assinada por Ana Henriques - mas certamente sujeita à direção de David Dinis, co-autor da hagiografia «Resgatados», de 2012, sobre a resistência épica do primeiro-ministro Sócrates, e dos seus assessores, a pedir o resgate financeiro à União Europeia e ao FMI, depois da bancarrota com que derrubaram a economia do País - interpreta, e mal, o que investigadores responsáveis jamais diriam. Acresce ainda, para compor o ramalhete de rosas, a legenda venenosa da peça: «a Carlos Alexandre não pareceu suspeita a subida do amigo na vida». A coisa não é, então, uma notícia, mais parecendo uma publi-reportagem encomendada...

Quais os factos referidos nesta peça do Público:
  1. o então procurador do DCIAP, de Cândida Almeida, amigo de Carlos Alexandre há cerca de 25 anos, emprestou ao juiz «dez mil euros» para prosseguir a reconstrução de uma casa em Mação, um valor que este lhe pagou seis meses depois, quando recebeu nova tranche do crédito na Caixa Agrícola. Ora, o Observador, de 3-3-2017, revela que foi o BPA-Europa (atualmente Banco Atlântico), ligado à Sonangol, que, em alegada retaliação por Carlos Alexandre não se ter subjugado à vontade do regime de Luanda em vários casos, nomeadamente de Álvaro e outros nipoti, comunicou ao Banco de Portugal, a transferência feita por Carlos Alexandre para a conta de Orlando Figueira para pagamento do referido empréstimo.
  2. o procurador terá entregue na Sonangol - acionista do BCP onde Orlando Figueira passara a colaborar como jurista após deixar o Ministério Público -, o currículo do filho de Carlos Alexandre, finalista de Engenharia Química no Técnico, que, entretanto, arranjou emprego noutro lado, tendo o próprio magistrado travado essa hipótese.
«Ó inclemência! Ó martírio!». Então não querem lá ver tamanho escândalo!... Mergulhe-se na mixórdia amarga um verdadeiro juiz e lave-se já o falso engenheiro do processo Marquês em que é arguido por corrupção!...


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): as entidades referidas nas notícias dos média, que comento, enquanto arguidas gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de sentença condenatória.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Diferenças

Observador, de 1-3-2017, publicou uma crónica de Luís Aguiar-Conraria com o título «À luz de moonlight: a homofobia mata» que contém interpretações que devem ser refutadas, tal como o artigo em que se baseia “Difference-in-differences analysis of the association between state same-sex marriage policies and adolescent suicide attempts”, de Julia Raifman, Ellen Moscoe e S. Bryn Austin, publicado em 20-2-2017, no JAMA Pediatrics, de larga difusão nos meios liberais. Uma crítica mais extensa pode ser encontrada no artigo «No, a study did not show that same-sex “marriage” laws reduce teen suicide rates - sloppy statistics and sad science», de William M. Briggs, de 23-2-2017.


Com todo o respeito, vamos aos factos:
  1. É errado dizer, como Luís Aguiar Conraria, que «a aprovação das novas leis do casamento levaram a uma redução de 7% nas tentativas de suicídio entre jovens LBGT».
  2. Nesse trabalho de Raifman, Moscoe e Austin, é indicada uma redução em termos absolutos das tentativas de suicídio dos jovens de 0,6%, a que corresponde a 7% de redução, no modelo, em termos relativos nos estados que legalizaram o casamento homossexual face ao período anterior.
  3. Raifman, Moscoe e Austin, não indicam o número de suícidios, mas as tentativas de suicídio relatadas pelos próprios jovens (self-reported suicidde attempts). 
  4. Cito os resultados do estudo de Raifman, Moscoe e Austin:
    «um valor ponderado de 8,6% de todos os alunos do liceu (28,5% dos 231.413 alunos que no estudo se identificaram como minorias sexuais) relataram tentativas de suicídio antes da aplicação das políticas de casamento de pessoas do mesmo sexo. As políticas de casamento entre pessoas do mesmo sexo são associadas a 0,6% (95% de intervalo de confiança, –1,2 a –0,01 pontos percentuais) na redução de tentativas de suicídio, representando uma redução, por causa da aplicação de políticas de casamento entre pessoas do mesmo sexo, de 7% na proporção de alunos do liceu que tentaram o suicídio.» (Tradução minha).

  5. Os autores não referem os números de tentativas de suicídio relatadas pelos demais jovens.
  6. Existem estados norte-americanos onde não houve redução, mas aumento de tentativas de suicídio relatadas pelos próprios.
  7. Os autores crêem ter isolado o fator da redução dos suicídios dos jovens homossexuais: a legalização do casamento dos mais velhos nesses estados. 

Em Portugal, a malvada da direita (a conservadora) e a Igreja Católica, atacadas no artigo de Luís Aguiar-Conraria, no Observador, por estarem do presumido lado errado da história, estão é demasiado caladas na afirmação dos valores, por medo de contrariar o totalitarismo do politicamente correto. Os motivos principais são: na direita dos interesses, a ideia de que isso-dos- costumes-não-interessa-nada-pois-o-que-conta-é-o-dinheirinho; e na Igreja, hierarquia e povo, a ideia temerosa de que se nos calarmos ninguém implica connosco. Ora, basta! Não podemos demitir-nos de afirmar os valores, os quais são muito mais importantes do que o dinheiro.

Então:
  1. Casamento é a união entre um homem e uma mulher. 
  2. A adoção de crianças por casais homossexuais não deve ser permitida: todas as crianças, incluindo as órfãs, têm direito a um pai e uma mãe.
  3. O aborto é um crime contra a vida do nascituro e não deve ser legalizado, nem gratuito, nem atribuído subsídio de maternidade à mãe.
  4. A eutanásia é um crime. A ninguém é legítimo tirar a vida de ninguém.
  5. O tráfico e o consumo de drogas deve ser sancionado.
  6. O abuso sexual de crianças é um crime cujas penas devem ser endurecidas, não deve prescrever e a idade de consentimento deve subir dos 14 anos, para evitar o abuso de meninos de 14 anos por homens, como agora se justifica.
  7. Cabe ainda afirmar que todas as ofensas contra homossexuais não são legítimas e, se tiverem relevo criminal, devem ser sancionadas. Não há grego, nem judeu, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher. Outra coisa é chamar casamento ao que não é ou descriminar crianças por causa do politicamente correto.

quarta-feira, 1 de março de 2017

O disco riscado do desesperado Sócrates

José Sócrates aproveitou a publicação do recente livro de Cavaco Silva, «Quintas-feiras e outros dias», em 16 de fevereiro de 2017, como boleia para regressar à gambiarra política, através da TVI do seu amigo Sérgio Figueiredo, no Jornal da Noite, de ontem, 27-2-2017, numa entrevista de meia hora em horário nobre, por Judite de Sousa, na sequência da constituição de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro como arguidos do processo Marquês. Cavaco Silva devia saber que nunca ninguém se deve meter com um inimigo em dissolução.

Negou a evidência da bancarrota que provocou nas finanças do País, o sequestro que pediu ao FMI e à União Europeia em que colocou o País sob protetorado. Insiste na mentira de o resgate financeiro do País só ocorreu por causa do alegado chumbo do PEC IV. Ora, o empréstimo de 78 mil milhões do FMI e da União Europeia não foi decidido de um dia para o outro: há longos meses que o assunto estava a ser estudado e a conselheira do FMI, Estela Barbot, já tinha dado uma entrevista a explicar que o resgate era inevitável atendendo ao sequestro das finanças públicas, bem antes do ministro Teixeira dos Santos ter avisado que o já não havia dinheiro nos cofres...

Rodou uma vez mais, no gira-discos do amigo, o disco riscado do chamado «caso das escutas». Esse caso, a que chamei Operação Encomenda consistiu na recuperação pelos seus serviços, em 18-9-2009, a dez dias das eleições legislativas, de um caso velho de 17 meses (!), difundindo um mail privado do jornalista Luciano Alvarez datado de 23 de abril de 2008, sobre black ops do socratismo efetuadas sobre a Presidência da República. Ainda em tempo: a armadilha do «caso das escutas», contou com a ajuda de António Manuel Costa Peixoto, aka Miguel Abrantes, maçon da influente Loja Convergência (de António Vitorino, Vitalino Canas e Rui Pereira) do Grande Oriente Lusitano, e coordenador do blogue Câmara Corporativa, que alegadamente, segundo o Observador, de 7-2-2017, terá recebido cerca de 76 mil euros, de José Sócrates, via «O Amigo» Carlos Manuel Santos Silva. O facsimile do mail do jornalista Luciano Alvarez, de 17 meses antes, foi publicado nesse blogue no dia da pseudo-notícia do DN, blogue onde consta que também escrevia, sob a capa de quem quase escapava, Fernando Medina, hoje presidente da CM Lisboa, entidade para o qual o filho António Mega Peixoto trabalha. O motivo desta operação negra, na qual foi sacrificado - pelo próprio Cavaco Silva... -, Fernando Lima, assessor do Presidente? A vitimização amplificada pelos meios controlados pelo PS para ganho eleitoral e vingança da traição que Sócrates sentiu de Cavaco Silva no negócio de compra da TVI pela PT no qual esperava o silêncio do Presidente («o preço da paz») por conta da entrega das rádios da Media Capital ao genro.

E não justificou o espavento em que vivia - e vive!... -, nem os milhões e o património que lhe são atribuídos por testemunhas e pelo Ministério Público.

A situação judicial de Sócrates parece desesperada.

O decisivo apoio político é cada vez mais estreito e fluido: os ratos abandonam o navio e só consegue socorrer-se, e mal, de quem lhe deve favores, pois já não dispõe da sua principal arma: as informações. O kompromat torna-se obsoleto de dia para dia. Numa espécie de grito da viúva, apelou à influente irmandade antirreligiosa com uma tirada tosca sobre Cavaco Silva:
- «Como pode ser tão... tão jesuítico!... Jesuítico... no sentido de maldoso e deturpador dos factos...»

Foi indisfarçável a contração do seu gorgomilo quando Judite de Sousa mencionou (aos 23:42 da entrevista) que Bava e Granadeiro tinham sido recentemente constituídos arguidos do processo Marquês. Mesmo no ator Sócrates, o corpo não consegue dissimular a contradição da mente: a barreira defensiva dos braços, as mãos postas em oração, e os habituais gestos da cabeça a dizer que não face ao que argumenta ou sim face ao que desmente...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Balanço do Portugal Profundo, de 2016



Revisitando o ano de 2016, pro memoria do trabalho realizado neste blogue Do Portugal Profundo, enumerando as vinte batalhas realizadas e os resultados atingidos:

  1. Eleição presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. How wonderful?... We saw...
  2. Denúncia da aliança de Paulo Portas (uma marioneta de Mário Soares, desde os tempos do Independente) com António Costa. O golpe falhou porque PS+CDS não chegaram aos 116 deputados. Portas teve de sair, mas continua na sombra a mandar no CDS, em sede vacante, fazer o jogo dos socialistas. Assim, mantém a aliança estratégica dúplice e justifica o salário na Mota-Engil. A aliança continua em vigor: o resultado é misto.
  3. Insistência na conexão GES-Sócrates nos negócios Vivo e Oi. Noticia o ZAP, de 25-2-2017 (com base no CM, de 25-2-2007, DN, de 25-2-2017, e Sol, de 25-2-2017), que o Ministério Público terá indícios que, alegadamente, Ricardo Salgado, do BES, terá pago quase 96 milhões de euros em comissões relativamente a quatro negócios: «a OPA da Sonae à PT, que implicava a desblindagem dos estatutos da empresa (2006), a autonomização (spin-off) da PT Multimédia (2007), a venda da Vivo à Telefónica (2010) e a compra da Oi». Alegadamente, terão sido pagas luvas a José Sócrates (29 milhões, além de 3,8 milhões de luvas da Vale do Lobo e Grupo Lena), a Zeinal Bava (18 milhões), a Henrique Granadeiro (20 milhões) e a Armando Vara. O processo Marquês já tem O resultado da insistência ao longo dos anos deu resultado, e parece consolidado com a alegada confissão de Hélder Bataglia de que o dinheiro do caso Sócrates vinha do BES (Expresso, 18-1-2017). Há uma desproporção entre os montantes alegadamente recebidos pelo então primeiro-ministro José Sócrates (29 milhões) e pelos gestores da PT (20 milhões cada) e ainda face aos negócios de venda da posição da PT na Vivo (7,5 mil milhões de euros) e na compra de 22,38% da Oi por 3,7 mil milhões de euros, em 2010. Recordo que no negócio de venda da metade detida pela PT na Vivo, José Sócrates terá sido convencido por um saldo de 350 milhões de euros, entre o acordo de compra pela Telefónica de 25 de junho de 2010 (7,15 mil milhões) que tinha vetado através da golden-share do Estado, e o valor aceite de 7,5 mil milhões do novo acordo datado de 27 de julho de 2010, quando a zanga Salgado-Sócrates foi sanada. Importa ainda dizer que, além do BES (detentor de 10% da PT), a Ongoing também detinha 10% da PT. A Ongoing, formalmente de Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, era alegadamente um veículo pessoal de Ricardo Salgado, desmantelado após a venda da Vivo. Estranhamente, após uma receita fabulosa de 750 milhões de euros (referente à venda da Vivo), em 2010, o leite e o mel que escorria da misteriosa Ongoing secou, os dirigentes das empresas do grupo (inclusivé o esquivo diretor do Económico, António Costa) perderam os carrões, e seguiu-se depois o processo de falência... Rafael Mora, da inteligência espanhola, mantém-se, nesta data, como administrador da Oi, enquando Nuno Vasconcelos (é agora suplente); e não se sabe o que receberam, se alguma coisa. do eventual beneficial owner, ou figura semelhante, Ricardo Salgado. Alegadamente, Nuno Vasconcelos e Rafael Mora estão sob investigação na Operação Marquês, tendo sido objeto de buscas, mas até ao momento não terão sido constituídos arguidos no processo.
  4. Proteção da magistratura judicial independente do poder político. Do Portugal Profundo, sempre entendemos que a luta contra a corrupção política que é a grande culpada do atraso no desenvolvimento português implica a defesa e apoio dos magistrados independentes, com relevo maior para o juiz Carlos Alexandre, o procurador Rosário Teixeira, o coordenador do DCIAP Amadeu Guerra, a Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal, e todos os magistrados que nos tribunais de Primeira Instância, Relação e Supremo, zelam pela promoção e aplicação da justiça, bem como os agentes das polícias empenhados no combate ao crime. O juiz Carlos Alexandre tem sido visado especialmente com ainda maior insídia pelo poder político corrupto e seus aliados nos serviços de informação e até na magistratura, mas aqui estaremos para o apoiar.
  5. Desmistificação do mestrado de José Sócrates na Sciences-Po. Felícia Cabrita noticiou no Sol, de 5-2-2016, que Sócrates terá alegadamente pago ao prof. Domingos Farinho, da FDUL, para lhe escrever a tese... Do Portugal Profundo procurei desmontar o mito académico de Sócrates na Sciences-Po, em Paris, e foi com satisfação que vi indiciado o facto. Não é conhecido que a Sciences-Po tenha até este momento aberto, como deveria, uma investigação sobre a tese de mestrado de Sócrates. Mas a batalha está virtualmente ganha.
  6. Denúncia da bancocracia. A submissão do Estado à aliança dos políticos com os bancos tem sido uma batalha longa. O resultado é negativo, ainda. 
  7. A queda política de José Sócrates. À beira de se iniciar a segunda fase (acusação e abertura de instrução) do processo Marquês, e ainda, creio, com várias centenas de milhões a voar - além da  e a asfixia do processo dos cartões de crédito dos Governos Sócrates no DIAP, parece completo o derrube político de Sócrates. Isto é, independentemente das voltas da rocambolesca justiça do País, o empobrecimento das famílias portuguesas resultante da corrupção de Estado dos governos Sócrates - comissões, obras socraónicas, custos exponenciais de obras não prioritárias, suvenção de clientelas e desperdício, destruição de empresas (PT, CGD, etc.) - isolou Sócrates, a quem hoje quase já ninguém defende, nem os socialistas. Foi a exposição dos pés de barro do primeiro-ministro Sócrates no caso do seu percurso académico investigado neste blogue, que permitiu o seu derrube com a acumulação de casos judiciais de corrupção política. Batalha ganha.
  8. Alerta para a estagnação do processo das parcerias público-privadas (PPP) rodoviárias no DCIAP. Continuou, e continua aqui, a insistência para que o processo avance e se dê conta dos resultados obtidos. Empate, até agora... O Dr. Amadeu Guerra não pode mandar desempatar?
  9. Alerta para a denúncia da estaganação do processo dos cartões de crédito dos Governos Sócrates no DCIAP. Empate num processo tabu...
  10. Denúncia da falta de limpeza frequente dos sistemas de ar condicionado dos hospitais, e da proteção dos doentes durante essa limpeza, como causas de infeções hospitalares. O alerta parece ter caído no saco roto habitual do sistema.
  11. Denúncia do envisamento na perseguição mediático-político-judicial a Pedro Arroja nos casos das «esganiçadas» do Bloco de Esquerda e no caso do boicote político-sistémico à doação por uma associação liderada pelo professor de uma nova Ala Pediátrica ao Hospital de São João no Porto. Resultado incerto...
  12. Denúncia da agenda comunista revolucionária do governo Costa, liderado pelo PS mésico. Os estalinistas do antigo MES lideram o poder de natureza realmente comunista. Em vez da guilhotina, asfixiam suavemente as fraquezas conservadoras, com maior pena para a silenciosa Igreja... Derrota, por enquanto.
  13. Denúncia do silêncio sobre a luxuosa penthouse duplex no n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde António Costa residiu entre julho de 2012 e novembro de 2014, num prédio da Holding Violas Ferreira, e que alegadamente, segundo a vizinhança, continuava vazia em 9-9-2016... Vá lá, Dr. Costa, resolva o mistério, apresentando publicamente o contrato de 1.100 euros mensais, carimbado pela Repartição de Finanças e datado desse período!
  14. Denúncia da cumplicidade de Sérgio Figueiredo com José Sócrates. Figueiredo, diretor de informação da TVI ficou exposto, mas não se passou nada neste canal socialista.
  15. Denúncia do risco do isolacionismo xenofóbico na plataforma política de Donald Trump. A subida da extrema-direita, de tendência pagã, na América e na Europa é uma consequência da corrupção política e da falta irresponsável de bom senso dos partidos moderados. Por enquanto, a expetativa do protecionismo aduaneiro e de descida dos impostos sobre as empresas está a provocar, nos EUA, uma euforia económica que sustenta politicamente uma agenda nacionalista perante uma militante extrema-esquerda revolucionária.
  16. Denúncia da aliança relvista-socialista, que já vinha do tempo dos negócios brasileiros da Vivo e Oi. Batalha em curso: no PSD tomado pelos interesses, o relvismo parece ter ganho uma segunda vida.
  17. Denúncia dos exorbitantes salários de Estado de Portugal em comparação com os dos EUA. Resultado: notícia sem amplificação nos média que funcionam como pedintes falidos do poder político corrupto e enxameados de saudosistas do comunismo totalitário. 
  18. Denúncia do ensino da sexualidade no pré-escolar e do aborto às crianças do 5.º ano de escolaridade, através do Referencial da Educação para a Saúde, dos Ministérios da Educação e da Saúde, de outubro de 2016, uma expressão do totalitarismo da esquerda da ideologia do género. A Igreja deveria ter intervindo neste assunto com mais vigor. Perante uma política totalitária de destruição dos valores cristãos, que esta coligação comunista (PS Mésico-Bloco-PC) está a impor ao País, a Igreja não pode fechar-se no silêncio do claustro e ao lamento da homilia abstrata.
  19. Combate cultural ao desumano islamismo arcaico, que beneficia da defesa da extrema-esquerda totalitária. Uma aliança de totalitarismos perante a resignação da direita dos interesses. Resultado: o combate cultural ainda está desorganizado, mas o povo já tomou consciência da ameaça. 
  20. Denúncia do colaboracionismo nos costumes da direita moribunda com a esquerda festiva: aborto, eutanásia, adoção homossexual, casamento homossexual, ideologia do género, miscigenação das casas de banho públicas, a liberalização do plantio de drogas e a criação de clubes de consumo de estupefacientes, penas suaves e prescrição para o abuso sexual de crianças. A direita dos interesses é aliada da esquerda totalitária. Resultado: derrota! Passos Coelho, e esta direção do PSD, tal como o CDS de Portas, que são favoráveis ao aborto, à eutanásia, à adoção de crianças por casais homossexuais, ao casamento homossexual e à liberalização das drogas, reclamam apoio do povo da direita porque... são mais austeritários do que António Costa!... Como se essa diferença bastasse!... 

Foi há catorze anos que abri esta janela sob Deus e sobre a Pátria. O trabalho e a luta são ainda mais necessários do que então. Com a colaboração de muitos, e sujeito às vicissitudes, Do Portugal Profundo o combate continua. É nosso dever criar as condições mediáticas, sem medo, compromisso ou trégua, para que surja uma proposta conservadora e patriótica de reconstrução de Portugal.

Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As outras entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos; ou, quando na condição de arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

domingo, 8 de janeiro de 2017

A doença infantil do socialismo

«(...) Existem todos os motivos para acreditar que o movimento comunista internacional se curará rapidamente e por completo da doença infantil do comunismo "de esquerda"».
Lenine, Vladimir Ilitch Ulianov (1920). Esquerdismo: a doença infantil do comunismo.

Morreu Mário Soares. Que Deus seja misericordioso com ele. É nossa obrigação solicitar piedade mesmo para quem foi um dos piores portugueses de sempre.

Em coma profundo desde 26 de dezembro, foi-lhe prolongada artificialmente a vida, à maneira dos congelados líderes soviéticos de antigamente, e declarado oficialmente morto, ontem, 7-1-2016, passados os festejos da passagem do ano e regressada de férias a nomenclatura do regime. A exceção foi António Costa, apanhado em visita de Estado à Índia quando mandaram desligar a máquina...

Lastima-se o povo de quem quer ser bom, morre. Esta é a hora dos elogios, de exéquias de três dias, de santificação laica, do brilho. Mas há um outro Soares: o sombrio. Para aquém do sobrevivente político (92 anos), do advogado dos processos políticos, do conspirador, do preso político, do desterrado, do organizador da esquerda socialista, do tribuno, do chefe partidário, do governante e do presidente, que as luzes da imprensa portuguesa domesticada pelo poder da esquerda, por patrões amamentados pelo Governo e pelo enviesamento ideológico dos jornalistas louvam (com exceção do CM), é desse outro Soares, que vou esboçar um retrato incompleto.

Quem foi Mário Soares?

Soares foi o jovem comunista influenciado pelo seu professor Álvaro Cunhal, antes de se ter ligado ao grupo republicanos históricos. Foi o aluno mediano de Ciências Histórico-Filosóficas e de Direito. O advogado, mais mediático que jurista. O pseudo-denunciador internacional do abuso sexual de meninas nos chamados ballets rose, quanto o whistleblower foi o advogado Joaquim Pires de Lima. O pelintra humanitário com a juventude, mesmo antes da revolução. O manifestante na visita de Marcelo Caetano a Londres, em julho de 1973, - perguntei em 1987, no ISCSP, ao embaixador Gonçalo Caldeira Coelho se era verdade o episódio de pisar a bandeira mas ele, que apresentou credenciaisem novembro desse ano, não confirmou... O maçon de rito francês, de cujos contactos beneficiou antes e depois do 25 de abril. O abonado de Bullosa, em Paris, para compor o salário de professor universitário ocasional. O manobrador de 1974-1975 com aliança ao PC e logo ao MDLP. O aliado do patriarca D. António Ribeiro (e de D. José Saramago) no cerco do Patriarcado e na Rádio Renascença, mas responsável pela tutela maçónica do País, que dura até hoje. O dirigente que tutelava o financiamento partidário do PS pela CIA, através do canal dos sindicatos alemães (ver reportagem «Dinheiro secreto americano para os socialistas em Portugal»,do canal holandês Nederland 2, de 13-5-2013), e das malas de dinheiro de que se encarregava Rui Mateus (o autor do desaparecido «Contos proibidos: memória de um PS desconhecido», de 1996). O grande obreiro, junta da «descolonização exemplar», ou «milagre», responsável último, por ação política e omissão humana, pelo genocídio que ocorreu em Timor, em Angola, em Moçambique, na Guiné, feito contra populações metropolitanas e gente que tinha servido Portugal, e não mereciam a sua traição. O colega de Almeida Santos, quais Bucha e Estica, na dupla que saldou o Portugal universal. O adversário de Francisco Sá Carneiro que difamou sobre dinheiros e mulher. O aliado ateu da Igreja progressista pré e pós-revolucão. O compincha de Frank Carlucci. O homem dos americanos em Lisboa, numa escolha mais influenciada pela conduta mútua do que por realismo político. O amparo de um jovem universitário em ascensão. O chefe que não podia desconhecer a entrega das G3, por ordem de Eanes, ao operacional Edmundo Pedro (o dos eletrodomésticos). O secretário-geral do PS que dirigia o partido como um «Tigre», furioso e brutal com os subordinados. O louvado grande defensor das liberdades, mas perseguidor de jornalistas através de esbirros, como Joaquim Vieira. O democrata que, para espanto de um presente nessa reunião, que me contou, defendeu em Conselho de Ministros, a tortura contra os membros das FP-25 de Abril, e mais tarde se mexeu para libertar Otelo. O máximo crítico do caso de abuso sexual de crianças da Casa Pia. O parceiro de Jaime Gama. O amigo do mestre Lagoa Henriques. O recrutador de ex-MES e protetor do ferrismo. O marxista, amigo de sempre de banqueiros e de grandes empresários, como Bullosa, Melos, Espírito Santo, Jardim Gonçalves, Ilídio Pinho, Manuel Violas, Dias da Cunha, O padrinho que destinava afilhados para gerir possessões, os sobrinhos da extraordinária mulher, Bernardino Gomes na Fundação Luso-Americana, ou mesmo sem título, como a do comandante Gomes Mota no ISCTE. O abrigo de intelectuais, como João Carlos Espada, Carlos Gaspar, Viriato Soromenho Marques, Boaventura Sousa Santos, Vasco Pulido Valente. O polvo cujos tentáculos chegaram ao sindicalismo comunista, angariando comunistas como Judas ou Carvalho da Silva (o ex-Lula da política portuguesa). O líder que desprezara Constâncio, Guterres e Sampaio, e se tornou pai adotivo de José Sócrates e louvaminhas do socratismo, prática de corrupção de Estado, modelo de um califa político-económico que sonhou ser. O inimigo de Cavaco Silva, de origem humilde e que desdenhou até este se erguer a rival, antes de este ceder ao medo e optar pelo descanso. O abrigo, com Almeida Santos, de juízes e procuradores, de Cunha Rodrigues, a Rodrigues Maximiano, a Cândida Almeida, a Maria José Morgado, a Pinto Monteiro, prevenindo a ameaça da independência do poder judicial face ao poder político corrupto que tinha derrubado a primeira república italiana. O desculpador da corrupção político do seu regime no continente e em Macau, entendo a corrupção como fenómeno política normal e as comissões como contrapartida adequada às decisões políticas que avantajam pessoas e grupos. O político que vivia na penúria antes do 25 de abril e no fausto depois, com a justificação dos extraordinários lucros do Colégio Moderno (!?...). O sócio de Robert Maxwell no projeto de um grupo mediático internacional e o abafador do caso do fax de Macau. O cabecilha que deixava cair os servidores entalados, como os sacrificados da Emaudio e Melancia, em Macau. O camarada de Mitterrand, de Andrés Pérez, de Craxi, de Arafat. O soba europeu aliado de Savimbi e beneficiário do seu apoio, rijo como o diamante e claro como o marfim. O presidente que recolheu para o cofre-forte da fundação do pai, nas Cortes, em Leiria, os magníficos presentes que recebeu pela função que ocupava, ao contrário de Eanes que os deixou para o Museu da Presidência. O amigo-inimigo de Zenha, de Alegre, de Passos. O tirano que gostava de humilhar servidores e embaraçar vassalagens, como quando envergonhou Álvaro Santos Pereira, em crónica no DN, em 30-7-2013. O titereiro que, quando era preciso, relembrava favores antigos e manipulava como marionetas a pessoas como Rui Machete, Pacheco Pereira, António Barreto, Guilherme de Oliveira Martins, Paulo Portas, até Adriano Moreira... O maior peso pesado da tara perdida no jogo abusador da política, em que se cooptam obcecados para (des)equilibrar a ideologia e se corrompem princípios morais para a satisfação sádica de poder sobre os mais frágeis.

Da doença infantil do esquerdismo, que Lenine glosou, se curou rapidamente o comunismo pragmático. Contudo, ainda que Mário Soares tenha falecido, não creio que, no médio-prazo, o Partido Socialista se livre da promiscuidade da sua doença infantil.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Lily

No ano triste que ora termina para dar lugar ao novo de combate, lembro a minha aluna Liliana Costa, que faleceu há meses após longa e corajosa luta contra o cancro.
A Liliaana nunca desaminou. Aliás, falava desassombradamente da doença, que a flagelou durante anos e anos, e mantinha uma excecional confiança na cura. Lamentava a burocracia hospitalar e a rigidez dos médicos portugueses face às modernas terapias genéticas que lhe prolongaram a vida à custa de tratamentos dispendiosos na Alemanha que conseguia realizar com recurso à caridade comunitária. Mas apresentava uma esfusiante alegria de viver, que certamente sentia e que comunicava aos outros. A doença aprofundou-lhe a bondade que era natural e desenvolveu-lhe o entusiasmo que partilhava com o marido Mário. Procurava ainda aconselhar, sugerir médicos e serviços, e encorajar outros que passavam pela mesma aflição. Pelo exemplo que dava, convidei-a a fazer uma conferência com o tema «A vida como um projeto», em meados de 2015, na qual deslumbrou os presentes com a sua perseverança e vontade de viver. No cantinho do céu onde Nosso Senhor a acolheu, estará a velar por nós, feliz do serviço que prestou no mundo e agora a rir-se embaraçada do desajeitado texto do professor. Deus a tenha no seu descanso.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A oposição dos políticos à sociedade civil

O Prof. Pedro Arroja denunciou, no Porto Canal, em 26-5-2015, o eurodeputado Paulo Rangel, diretor da sociedade de advogados Cuatrecasas no Porto desde 2012 (e sócio desde 2007), que assessorava o Governo Passos Coelho no Hospital de São João, por esta sociedade ter feito um parecer jurídico que dificultou o andamento da obra de construção naquele serviço de saúde da Ala Pediátrica  pela «Associação Um Lugar para o Joãozinho». Esta associação foi fundada, e é presidida, pelo Prof. Pedro Arroja para realizar, mediante contributos da sociedade civil, e depois doar ao Estado, esta obra de cinco andares, no valor de 20 milhões de euros que substitui instalações precárias, onde atualmente as crianças são tratadas e internadas. Pedro Arroja informou que já tinha angariado um milhão de euros e conseguido financiamento bancário para a obra.

Pedro Arroja insurgiu-se ainda contra a «promiscuidade entre política e negócios»: Paulo Rangel eurodeputado-advogado de negócios que, como político, andaria «certamente, a angariar clientes para a sua sociedade de advogados, clientes sobretudo do Estado».

Explicou, nesta crónica no Porto Canal, o Prof. Pedro Arroja que «a política meteu-se no meio», com um parecer jurídico da Cuatrecasas do Porto que, na sua opinião, é uma «palhaçada jurídica», um «documento político», no qual a «associação não pode dar a obra» ao Estado - apenas dar o dinheiro... -, cedendo o hospital o espaço, podendo processar a associação e as construtoras que a edificam e «rapinar» a obra, expulsando a associação. 

O receio dos políticos da cidade, segundo Pedro Arroja, é de que autorizar a sociedade civil a construir uma obra que caberia ao Estado realizar com prioridade, «faz os políticos parecer mal» perante os cidadãos, que diriam «os políticos não fazem nada»... Por isso, os políticos «se opõem a ela». O professor indignou-se com o desdém e as manobras de oposição de «politiqueiros de segunda categoria» e «juristas de vão de escada». Desafiou Paulo Rangel a debater publicamente o diferendo, coisa que o então eurodeputado-advogado de negócios não aceitou.

Entretanto, Paulo Rangel terá deixado esta sociedade de advogados, em junho de 2016. Paulo Rangel apresentou queixa-crime contra Pedro Arroja, tal como a sociedade de advogados Cuatrecasas, por este comentário televisivo. Pedro Arroja conta o caso no poste «Politiqueiro», em 19-12-2016, no seu Portugal Contemporâneo. Não conheço os fundamentos da queixa-crime, que devem todavia ser muito graves para merecer um processo de desejada pena por difamação agravada («prisão até dois anos»!...).  Sei, por experiência própria, que a bofetada do poder (SLAPP) é violenta em Portugal, país em que a mudança na jurisprudência da medieval ofensa da honra e consideração para a moderna proteção do direito de liberdade de informação e de opinião (necessidade de prova pelo queixoso da actual malice do alegado difamador) vai ao passo do caracol político - nos EUA, se cada cidadão que chamou corrupta a Hillary Clinton fosse preso, mais de metade da população seria arrecada nas masmorras... O objetivo das queixas por difamação dos poderosos é mais a cenografia da indignação, o protesto de inocência e a pedagogia da violência, com o uso dos tribunais como uma courela em cuja lama, despesa e maçada, enterram súbditos. Um sinal da degenerescência do sistema político em cujo pântano nos atolamos, enquanto outros engordam.

Analisando, contudo, o que o Prof. Pedro Arroja disse devo escrever o seguinte sobre eventuais motivos invocados. Não sei se os escritórios da Cuatrecasas no Porto funcionam num vão de escada: mas parece que, de escada em escada, vão... Por outro lado, e com o respeito oitocentista, creio que o Dr. Paulo Rangel é realmente um político de segunda categoria, pois ficou em segundo lugar na eleição pela liderança do PSD ganha por Pedro Passos Coelho, em 27-3-2010. É o sufixo «eiro» (de «politiqueiro») e o incomodou? Ferreiro se diz do escritor...

E o projeto embargado na teia de interesses políticos de controlo elitista da cidade do Porto, onde, afinal, todos os políticos se entendem, numa megacoligação de partidos, de fações e de altas individualidades. Menos com a sociedade civil de que vivem e que protestam representar.


Conheço muito bem as manobras dos políticos quando alguém da sociedade civil procura fazer obra. Em Alcobaça, lancei em 2011 a ideia da edificação em Alcobaça de uma estátua a São Bernardo, oferecendo para tanto economias que tínhamos obtido na direção da Academia de Cultura, que também criei. A ideia foi aceite pela Câmara Municipal, pois a Alcobaça moderna é o resultado da decisão de São Bernardo de fundar um mosteiro na atual cidade. Como exceção, o vereador comunista que indicou outro destino para uma verba que não pertencia ao seu partido, mas que não admiti, pois nunca me arrogara pronunciar sobre o destino das receitas do seu partido. Porém, pedi apoio a amigos e empresas e, em vez de um contributo monetário, a Academia decidiu oferecer a estátua, contando com esta ajuda da sociedade civil. Entornou-se o caldo da sopa azeda: o poder político não gosta que a sociedade civil faça obra, pois teme que na demonstração de eficácia o embaracem perante os cidadão, demonstrando a sua incapacidade; e, quanto mais fraco é esse poder e mais dependente a comunidade, pior. Dar dinheiro ainda se aceita, mas fazer obra é que não!... Ainda mais sendo a estátua entregue pronta, com iluminação e tudo. O projeto foi sujeito a variados argumentos, problemas e obstáculos, que a imaginação política é fértil na manha. Mesmo assim, com quase infinita paciência, três anos e meio depois, conseguimos autorização in extremis para colocar a estátua. Por vontade minha, nem sequer, na face posterior do plinto, consta o meu nome no rol de obreiros e apoios. Ficou a estátua despejada numa zona distante do Mosteiro, que o santo mandou construir e cuja Ordem o ergueu para vir a ser roubado e vandalizado pelo Estado, que o usurpou, confiscou (e confisca !), imagens e objetos litúrgicos, dificulta ou proíbe o culto católico (apesar do que estabelece, acima de qualquer lei ou regulamento, a antiga e... a nova Concordata...),  dele fez estrebaria para anúncios de cerveja, usa para provocações sobre a «passarinha» da rainha, mantém uma banca de comércio na igreja, e quer dele fazer um hotel de luxo para ricos, ele que foi albergue gratuito de pobres e de peregrinos...




A sensibilidade de Paulo Rangel parece ter dias. Faz queixa-crime neste caso. Mas não consta que tenha justificado semelhante desagravo o o poste do Jumento, (formalmente da autoria de Victor Sancho e alegadamente da autoria do ex-assessor de Sócrates, dedicado à intelligenceRui Paulo Figueiredo) de 3-4-2016, sobre «Paulo Rangel, esganiçado», aludir a «rapazes casadoiros», a aconselhar Pedro Arroja a «pedir Paulo Rangel em namoro», e a lamentar que não exista nenhuma «comissão de proteção da igualdade dos rapazes».

Note-se que José Sócrates era useiro e vezeiro na utilização de blogueiros para ataque aos adversários: segundo o CM, de 23-10-2016, terá alegadamente pago 426 mil euros, mediante homens de palha (sociedade RMF, de Rui Mão de Ferro, amigo do amigo Carlos Manuel Santos Silva), ao socialista António Peixoto, entre 2005 e 2015, pela coordenação, sob o pseudónimo Miguel Abrantes, do cadavre exquis da Câmara Corporativa, entretanto auto-enterrado. Alegadamente, esses pagamentos ao nègre de serviço (um hábito do ex-primeiro-ministro presidiário) eram realizados  através do seu filho António Mega Peixoto, assessor do atual presidente da CMLIsboa, o socratino Fernando Medina (alegadamente. também grande colaborador da central de informações, e operações suaves, Câmara Corporativa).


Limitação de responsabilidade (disclaimer). As entidades mencionadas nas notícias dos média que comento não são, que eu saiba, suspeitos ou arguidos de qualquer ilegalidade ou irregularidade, fora dos casos públicos e notórios - e mesmo assim gozando da presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.