segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Crescem juntos


Cinco questõeszinhas sobre bicos de obras bancários:
  1. Será verdade que, recentemente, a filha do ex-presidente de Angola e maior acionista do banco EuroBic (ex-BIC), Isabel dos Santos  sacou secou a liquidez deste banco?
  2. E que, em consequência desta limpeza, o banco liderado pelo ex-ministro socialista Teixeira dos Santos, ficou em situação financeira muito complicada?
  3. E, se acontecer ao Eurobic o que aconteceu ao BES, cuja queda foi precipitada também pelas perdas de 3 mil milhões de euros em Angola, terá o povo português de suportar o socorro financeiro de outro banco?
  4. Já não basta o povo arcar com o resgate do Montepio através da caixa da caixa de esmolas da Santa Casa da Misericórdia, sem a responsabilização dos seus dirigentes, nomeadamente o intocável socialista Tomás Correia?
  5. E como pode o Banco de Portugal, que tem como membro do seu Conselho Consultivo, Francisco Louçã, a eminência parda do Bloco de Esquerda, deixar ocorrer estes descalabros?


* Imagem editada daqui.


Disclaimer: As entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do comentimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade. E, quando arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O novo Bloco Central

O Bloco Central, cuja geometria, variável no atrappe-tout e fixo nos interesses, já inclui o BE e o PC, parece ter engolido o PSD de Rui Rio. Enquanto o CDS de Cristas, mantém-se sob a tutela de Paulo Portas no que concerne aos ditos interesses.

Estamos quase com um regime perfeito: a corte satisfeita no banquete e o povo para lá do fosso que não pode transpor. A cacicagem da troca de casas por votos é legítima, perigoso é o populismo!... E a democracia direta o caos...

A partilha dos fundos europeus, que já vigorava, está agora está mais tranquila, aberta a novos setores políticos e a outros atores dramáticos. A regionalização virá, por pressão das clientelas, mais ou menos disfarçada e sem consulta popular, que o povo poderia manter o veredicto contra o aumento do Estado, os escalões intermédios de tráfico de influência e a multiplicação do nepotismo.

Sobrava a justiça independente, mas afigura-se o consenso na remoção da procuradora-geral, cujo mandato termina daqui a onze meses. Luís Marques Mendes, chamuscado nos fumos do Oriente no caso dos vistos gold - o que lhe deveria merecer alguma vergonha... -, proclama um acordo para a substituição da procuradora Joana Marques Vidal. Procura-se um magistrado que dê garantias e tenha uma ação politicamente incontestada, assim ao modo do antecessor Fernando Pinto Monteiro...

E o povo vai andando, contente com o socialismo que lhe aliviou os bolsos das notas e agora lhos enche com níqueis, habituando-se, como é costume português, à praga de governos sujeitos à corrupção e à degeneração dos média, onde pontificam editores de confiança. A tragédia dos fogos no interior longínquo  apagada pela chuva de aumentos e subsídios.

No reverso da economia socialista, que distribui dinheiro, premeia a preguiça e pune a criação de riqueza, corre a reengenharia pós-moderna dos costumes. Depois do aborto, do casamento homossexual, a liberalização da droga para fins «terapêuticos»: a erva para o enjoo, o óleo para a fibromialgia e o charrinho p´rà sossega!... O PSD tranquilizou os congéneres, assegurando, em 11-1-2018:
«O grupo parlamentar do PSD defende que a canábis possa e deva ser utilizada para fins terapêuticos e, por isso, teremos uma iniciativa legislativa que corresponda exatamente a este fim».

«Este fim»... É por isso mesmo, quando quase todos se conformam com o fim, que importa continuar. Continuar sempre.


* Imagem picada daqui.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A ministra da Justiça de Angola

Como enquadramento deste texto, recomendo a leitura do meu poste «A nomeação de Francisca van Dunen como ministra e sete factos capitais», neste blogue DPP, de 9-12-2015.

A ministra da Justiça, Francisca van Dunen, no dia 9-1-2018, na TSF, deu a entender que não será renovado o mandato da atual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, falando num «mandato longo e um mandato único». Justificou a sua «análise jurídica» (sic) com a Constituição. Mas, segundo reportou o Observador, nesse mesmo dia, a Constituição admite a renovação do mandato e, se dúvida existisse relativamente ao espírito da lei, no acordo de revisão constitucional, de 1997, entre PSD e PS, quando António Costa era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, lá consta que «a PGR terá mandato de 6 anos, sem limitação de renovação»...

Um assunto desta importância há-de ter sido objeto de concertação com o primeiro-ministro. O título da entrevista na TSF já era elucidativo, indo além da resposta da ministra: «Governo não renova mandato de Procuradora-Geral da República». Ainda nesse dia, outro naipe da orquestra socialista nos média, a TVI, tocava: «Ministra lembra que Joana Marques Vidal está de saída da PGR Mandato termina em outubro e não será renovado, de acordo com a Constituição»... Outro naipe, ainda, também entra na sinfonia: numa notícia assinada pelo próprio diretor, David Dinis, o Público titula: «Ministra da Justiça abre porta de saída à actual PGR. Governo vê mandato da Procuradora Geral da República como "longo e único", pelo que não deve reconduzi-la em Outubro».«Pelo que»!... Uma imprensa que faz o frete de veicular como suas o que os dirigentes não dizem... Ainda que dificilmente se acredite que estes meios, como o insider Dinis, não tenham confirmado a intenção do Governo com o próprio Costa...

Contudo, o Presidente da República furou, no dia seguinte, o balão solto pelo governo: «até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional, o tema não existe». E Costa teve de recuar taticamente - ainda que diga apoiar a interpretação da ministra - para logo dar dois passos em frente, através da longa mão nos média. Ontem, 12-1-2018, na TVI, a propósito do caso da alegada adoção de crianças, desvio para o EUA e Brasil, trocas e destrocas dos menores entre máximos dirigentes da IURD, tendo como convidado o desembargador Eurico Reis e o advogado Garcia Pereira, só faltou ao socratino José Alberto Carvalho que liderava a programa, pedir a cabeça da procuradora-geral por esta ter avocado o caso e não ter evitado a adoção de Vera, Luís e Fábio, em 1999...

Joaana Marques Vidal tem os dias contados na Procuradoria-Geral. Não por causa da «análise jurídica» da ministra, mas pela vontade do Partido Socialista de Costa e Sócrates que não parece perdoar à procuradora o facto de esta não ter travado o caso do ex-primeiro-ministro. Portanto, Joana Marques Vidal sairá no final deste mandato, em outubro de 2018.

Francisca Eugénia da Silva Dias van Dunen, enquanto procuradora distrital de Lisboa, já tinha tomado decisões controversas a favor dos envolvidos socialistas no processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia, como recorda o José no blogue da Porta da Loja, em 9-1-2018. Teria sido prudente, agora como ministra, cair no mesmo buraco.

Os factos coincidentes de a ministra van Dunen, na entrevista da TSF, citada pelo Público, de 9-1-2018, se imiscuir no processo de corrupção em que está envolvido o ex-presidente de Angola, Manuel Vicente, ainda, falando sobre o mesmo, e lançar a substituição de Joana Marques Vidal cujo mandato durará mais nove meses (!), devem ser interpretados politicamente. Agora, Folha 8, de Luanda, registou, em 11-1-2018, a mensagem, pondo em título: «Francisca van Dunen "arquiva" caso Vicente»... Já bastava o caso das vergonhosas desculpas a Angola do ministro Rui Machete, de outubro de 2013, por causa das investigações judiciais pendentes!...

Uma ministra do governo português não pode interferir no poder judicial português soberano a favor do seu país natal, a cujo clã, paradoxalmente de origem boer, da «"gloriosa família" van Dunen» sugerindo a substituição da procuradora-geral que, aparentemente, se opõe à passagem do caso para Angola com o inevitável arquivamento do caso de um dirigente com imunidade na altura dos factos. Nesse sentido, deve ser lembrada Francisca van Dunen de que é ministra da Justiça da República Portuguesa e não representante de Angola no Governo português.


* Imagem picada daqui.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

O kibutz de António Costa


ABC (dezembro de 2017). O 5.ºA/6.º do n.º 105 da Av. da Liberdade, em Lisboa,
onde António Costa viveu entre 2012 e 2014


De volta a um caso tabu - «A cobertura descoberta de António Costa», de 5-3-2015, e «Investigação à penthouse duplex de António Costa», de 18-3-2015, com novos dados.

Obtive, há dias, in loco, a informação de que teria sido vendido a um israelita o apartamento penthouse duplex (T2), no 5.º A (e 6.º) do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde António Costa viveu entre 2012 e 2014, com os seus dois filhos. O atual primeiro-ministro terá vivido nesse apartamento entre 11 de julho de 2012 (quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa) e o final de novembro de 2014 (quando foi eleito secretário-geral do Partido Socialista). Trata-se de um prédio de escritórios (exceto o apartamento onde viveu António Costa), com porteiro, remodelado, durante o consulado de Costa à frente da autarquia lisboeta, segundo projeto, de 2008, do premiado arquiteto Carrilho da Graça, pertencente à I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A. A I.I.I. é uma empresa imobiliária da HoldingViolas Ferreira (HVF), que detém uma participação qualificada no BPI, além de outros investimentos.

Quando questionado, pela imprensa, em março de 2013 sobre o apartamento, António Costa referiu um alegado contrato de arrendamento da penthouse duplex, celebrado em 11 de julho de 2012, no valor de 1.100 euros mensais. O valor contrastava com a cotação de quatro mil euros mensais, que obtive de imobiliárias, para um apartamento do género numa das avenidas mais caras do mundo, nessa época. Costa nunca mostrou, que se saiba, a cópia do contrato com data e carimbo da repartição de finanças do bairro fiscal que abarca a freguesia de São José, em Lisboa, desse mês de julho de 2012.

Também não foi possível saber na altura das notícias, qualquer eventual ajuda financeira, fiscal ou outras - e de quanto - de programa público de reabilitação urbana administrado, ou intermediado, pela CMLisboa, à I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, relativas ao edifício do n.º 105 da Avenida da Liberdade, e à Holding Violas Ferreira (HVF), desde 2008. E continua a ser útil saber-se no quadro da accountability política a que os cidadãos têm legitimamente direito.

A última informação que eu possuía, e que aqui publiquei em 9-9-2016, era de que a penthouse duplex se encontrava vazia, que um cuidador continuava regularmente a regar-lhe as flores, como se o apartamento de cobertura aguardasse a volta de Costa...

Fiquei surpreso com a informação de que o famoso apartamento teria sido vendido. Porque se trata de um prédio explorado para arrendamento pela I.I.I da holding Violas Ferreira, que não estava fracionado em propriedade horizontal. Por isso, fui verificar novamente o registo que abaixo publico.



Fac-simile do registo predial do n.º 105 da Avenida da Liberdade, Lisboa
(cópia emitida em 5-1-2018)


Ora, segundo a certidão do registo predial, que obtive em 5-1-2017, o prédio em causa, situado na «Avenida da Liberdade, n.ºs 91 a 117, e Praça da Alegria, n.ºs 74, 75, 76 e 77», na freguesia de São José, de Lisboa, segundo o registo n.º 546/20090827, da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa (descrição n.º 4739, Livro n.º 17), adquirido, em 7-7-1989, pela I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A., do grupo Violas e agora da Holding Violas Ferreira (HVF), não está em propriedade horizontal. Logo, não poderia ser vendida uma fração (o apartamento duplex onde viveu António Costa). Desconheço se existe algum contrato-promessa de compra e venda, ou outro instrumento jurídico, onde tal venda possa ter ocorrido ou sido prometida.

E, portanto, para esclarecimento dos leitores, não posso confirmar a informação que o apartamento teria sido excecionalmente vendido pela I.I.I. a um alegado cidadão israelita. Julgo que para evitar qualquer dúvida, será útil à imobiliária I.I.I. do grupo Violas Ferreira esclarecer a verdade.


Nota: O caso foi exposto neste blogue Do Portugal Profundo, no poste «António Costa e a cobertura descoberta», de 6-3-2015, e «Investigação à penthouse duplex de António Costa», de 18-3-2015 - e ainda o meu poste «Ameaça sistémica», de 9-3-2015. E, no desenvolvimento da análise da parte fiscal, ler os meus postes «António Costa: remunerações e impostos», de 9-9-2015, e «Costa 2007-2013: exclusividade na CMLisboa (?), IRS e IVA», de 28-9-2015.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): António Luís Santos da Costa, objeto das notícias dos média que comento, não é arguido ou suspeito de qualquer ilegalidade neste caso. a III-Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A., a HVF, Otília Violas Ferreira, Edgar Alves Ferreira, Tiago Violas Ferreira, da holding grupo Violas Ferreira, outros membros da família Violas, e outras entidades referidas neste poste, não são suspeitos da prática de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso.
Também o alegado cidadão israelita do 5.º A e 6.º do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, não é arguido, nem suspeito da prática de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O bom combate


Natividade. Basílica de Santa Sofia, Constantinopla.


Natal. Deus fez-se homem para nos tocar com a sua divindade. Passar pelo transe humano para expressar a redenção. 

O Natal que celebramos é uma experiência de renascimento. Nosso. Não um episódio de um ser distante, mas a constância de um Deus próximo. Um Deus à distância de uma oração íntima e que vela pela Verdade.

Nesta época de paganismo ditatorial nos países da Cristandade, é tempo ainda - e sempre! - de trabalho e combate. O bom combate.

sábado, 23 de dezembro de 2017

O outro Obama

A interrelação de Obama, Hizbala, Irão, Venezuela e Rússia, documentada em "The secret backstory of how Obama let Hezbollah off the hook", numa grande reportagem de Josh Meyer, no Politico, de 18-12-2017.

Um trabalho extenso que detalha como a obsessão do presidente Obama com o inútil acordo sobre armas nucleares com o Irão, por meio do seu braço de origem libanesa Hizbala, permitiu ao regime xiita fundamentalista de Teerão tornar-se uma superpotência regional, através do tráfico de droga, inclusivé para os States, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e terrorismo global. Uma ameaça que continua, devido ao kompromat de Trump.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Volta


Capela de São Jorge, chão da batalha de Aljubarrota, 1-12-2017

"Sed fugit interea, fugit irreparabile tempus". 
                   Publius Vergilius Maro (c. 29 dC). Georgicon. III, 284.


No bailado da vida, o tempo foge. Irreversivelmente, como lamentava Virgílio?... Não. Depende da dança da vontade. Nesse sentido, o tempo é absolutamente relativo. Até porque dura para lá de nós... É uma variável dependente. Dependente do que se faz nele... Mas não é por madrugar muito, e madrugo - quando não ocupo o serão -, que amanhece mais cedo. Por vezes, é necessário parar um pouco a urgência para preparar, sem pressa nem medo, o futuro. O tal, de passo incerto, cujo ritmo pertence a Deus.

No meio dos dramas e das comédias, há sempre que encontrar a esperança e voltar ao trabalho. No País, pasmado, e no mundo, em transição, ao serviço do povo.

O mundo em transição do delírio politicamente correto socialista para um retorno aos valores intransigíveis: o cansaço dos povos perante os absurdos extremos da ditadura do politicamente correto; o solavanco por que passa a Igreja; a recuperação militar temporária perante um Islão em reorganização tática, enquanto continua a sua expansão demográfica na Europa; a perda eleitoral dos partidos do espectro politicamente correto socialista e o ganho de plataformas a que chamam populistas por, afinal, servirem o que o povo quer; o ressurgir dos regionalismos, de que são exemplos o independentismo moll da Catalunha (que, com a sequente autonomia do País Basco, reduziria Portugal a uma região da Ibéria...) ou da Córsega.

O País pasmado: com a tragédia dos incêndios do interior desprezado, com a coragem da acusação, pela qual muito se lutou, ao longo de anos, ao primeiro-ministro que arruinou o Estado e o povo; com a (a)normalidade de um governo socia-estalo-trostskista que vai gozando do gravame desigual do anterior; com a distribuição discreta de lugares do Estado por comunistas e trotskistas burgueses; com o cheirete da fétida corrupção socialista e a oxidação fatídica da liderança ferrugenta da coligação governativa; com a evidência sistémica da promiscuidade socialista do PSD regionalista e do CDS p(r)o(a)rtista; com a sujeição do Estado e da sociedade civil, inclusivé no interior, ao poder da Maçonaria; com a mudança silenciosa do paradigma ideológico de um País católico para o delírio de uma sociedade socialista repressora, apesar dos sinais do tempo; com uma sociedade civil distentida pelo alívio do cinto financeiro; e com o engenho económico das novas gerações a aproveitar o crescimento do fluxo turístico e o esforço nacional acumulado da educação.

E o que quer o povo? Recuperação da democracia através da derrota da bancocracia socialista; limpeza da corrupção; responsabilização social; segurança pública; controlo da imigração; liberdade económica; desagravamento fiscal; redução do Estado e da subsidio-dependência de indivíduos e instituições; supervisão da distribuição de subsídios públicos e prestação de contas; justiça eficaz e autónoma do poder político; escola rigorosa e livre de demagogia política; desenvolvimento territorial harmonioso e não apenas da corte; liberdade de viver de acordo com os valores professados; e proteção da família.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A misteriosa quinta de Jano




A misteriosa quinta da estrada de Janas (Sintra) referida a José Sócrates no processo Marquês foi tratada agora na revista Visão, de 3-5-2017, por Sílvia Caneco, que citou a minha investigação in loco, de 2005. Escreveu a jornalista:
«Em 2005, o blogue “Do Portugal Profundo” recebeu essa mesma denúncia e foi ao terreno investigar. Todos os portões estavam fechados e era impossível visualizar o que se passava para além deles. O autor do blogue falou com a vizinhança, que disse julgar que a quinta estaria à venda e indicou o contacto do intermediário. Pelo telefone, esse intermediário confirmou que a quinta tinha sido de Duarte Lima mas agora pertenceria a outra pessoa, que não identificou. Seja de quem for, a verdade é que o seu dono não desfruta dela. A quinta está ao abandono.»
Na sequência de uma pista segura, fui ao terreno, em 9 e 10 de abril de 2005 e novamente em setembro de 2005, confirmar. Publiquei sobre a misteriosa quinta da estrada de Janas os seguintes postes:
A verdade tende a vir à superfície, mesmo quando enterrada debaixo do lodo do pântano político por cúmplices sistémicos e plumas de aluguer. Mas esse trabalho arqueológico de de descoberta e exposição das duas faces de adolados deuses terrenos tem de ser feito! E há sempre quem não amocha perante o poder corrupto e decide servir a Pátria, qualquer que seja o sacrifício e a retaliação - e tem sido... Então, como resultado desse esforço teimoso de desenterrar a verdade, dos políticos imponentes com pés de frágil chacota, ficam apenas cacos kitsch. E o povo, espezinhado, passa a respirar melhor.

Há mais para contar: uma parte não convém ser aqui; a outra parte pode. Mais tarde - mas ainda em tempo.


* Imagem picada daqui.



Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014) no âmbito da Operação Marquês,que esteve detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o n.º 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, e não é, que se saiba, arguido no caso da Quinta dos Muros Altos, em Janas, Sintra. Domingos Duarte Lima, condenado, em 28-11-2014, pelo tribunal da 7.ª Vara Criminal de Lisboa, a 10 anos de prisão efetiva no processo Homeland/BPN, pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais, em 28-11-2014, acusado pelo Ministério Público brasileiro pelo alegado homicídio de Rosalina Ribeiro, e arguido do caso de alegado desvio de dinheiro da herança do empresário Lúcio Tomé Féteira, pelos quais goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, não é arguido ou suspeito de irregularidade ou ilegalidade no caso da Quinta dos Muros Altos, em Janas, Sintra, ou noutros factos e alegações mencionadas nos casos mediáticos que comento. As demais entidades mencionadas neste poste, objeto das notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O caso Madeleine McCann revisitado: comunicação não-verbal e pontas soltas



Por ocasião dos 10 anos passados sobre o desaparecimento da menina Madeleine Mccann, na praia do Luz, indico uma análise muito aguda da comunicação não-verbal dos pais, Kate e Gerry Mccann, sobre uma entrevista recente do casal: https://youtu.be/N6uQNt969DQ. Neste blogue, na altura do crime e depois, escrevi bastante sobre o caso.

Destaque ainda para o garboso esforço persistente do inspetor-chefe Gonçalo Amaral na descoberta e exposição da verdade, de que é exemplo a louvável reportagem da CMTV, de 1-5-2017, de reconstituição da noite do crime e de referência de novas pontas soltas da investigação.

Para além da tese já conhecida da eventual morte acidental da menina por administração do anti-histamínico Calpol (de efeito soporífero), surge agora a pista do seu eventual congelamento num apartamento alegadamente frequentado pelo grupo dos McCann e amigos (onde? Para quê?), para onde o pai a poderia ter levado. Note-se que uma testemunha irlandesa disse ter visto um vulto na noite do desaparecimento que lhe pareceu depois ser Gerry McCann, com uma criança ao colo. O congelamento explicaria o fluido de ADN da menina encontrado no carro alugado cinco semanas depois e usado pelos McCann.

Outra pista aberta nesta reportagem da CMTV, de 1-5-2017, foi a  alegada possível introdução noturna do corpo da menina maddie na urna de uma pessoa falecida e depois cremada, pois terão sido avistados vultos com um saco a entrar na igreja - parece ter sido descartada a alegada hipótese de sumiço posterior do corpo da menina no trajeto para Málaga.

Foi ainda mencionada nesta reportagem da CMTV a pena de não terem sido  realizadas escutas - subentende-se, escutas telefónicas e ambientais - do casal, e dos seus companheiros de férias ingleses. Ficou por explicar se as escutas foram pedidas pelo inspetor, e negadas pelo Ministério Público ou pelo juiz de instrução. É útil que o inspetor Gonçalo Amaral esclareça.

Por fim, em minha opinião, parece evidente a pressão política exercida pelo governo britânico, através do seu embaixador e eventualmente outros canais, sobre o governo Sócrates, e indiretamente sobre a própria Polícia Judiciária. O ministro da Justiça Aberto Costa, e depois Alberto Martins, que lhe sucedeu, poderiam clarificar este assunto.

Sem ser necessário chamar qualquer teoria de conspiração, o eventual envolvimento de nacionais de um país num caso criminal noutro, ainda mais se for globalmente mediático como tende a ser o desaparecimento de meninos, é algo que leva as autoridades desse país a interceder na sua defesa, protegendo ao mesmo tempo a reputação nacional. Ao mesmo tempo, o assunto do desaparecimento de uma menina, é muito incómodo para o governo do país onde o crime aconteceu. O governo do país onde o crime aconteceu também quer preservar o bom relacionamento com o país de origem dos envolvidos e resguardar-se de acusações de xenofobia da sua polícia que afeta mais o fluxo turístico do que o sentimento de insegurança gerado por um crime raro. Os envolvidos - e os média que também pressionam o governo de origem para a proteção dos suspeitos - também exploram esse sentimento xenófobo a seu favor.

No delta de interesses, que transvasam da bacia de lágrimas da comoção do crime para o pântano político onde se decidem as magnas questões de Estado, impõe-se o poder da nação mais forte sobre a fragilidade da nação dependente e pretensamente incivilizada. E os alegados suspeitos da nação superior, politica, cultural e mediaticamente, anglo-saxónica ou outra, tendem a livrar-se das penas: repare-se nos exemplos de Amanda Knox e de Joran van der Sloot. Na batalha mediática que se segue, ganha o partido da solidariedade nacional pelos envolvidos da «nação superior» sobre qualquer prova que não seja ostensiva, gritante e indesmentível, maxime a sua confissão. Aliás, como quando se trata de suspeitos com grande poder mediático sobre qualquer pobre de Cristo. E quando a verdade, finalmente como é comum, se sobrepuser à água suja do banho político e racista, os Estados, os média e os povos que tomaram partido pelos suspeitos, perdem pouco tempo a escusar-se das culpas, quando não as negam ou ignoram. As vítimas, duplamente sacrificadas, pelo crime e pela injustiça, só podem ter a certeza do descanso eterno onde Deus as acolhe e conforta.



* Imagem picada daqui.


Disclaimer (limitação de responsabilidade): Kate e Gerry McCann mencionadas nas notícias, que comento, que chegaram a ser arguidos no caso, não são considerados suspeitos de qualquer ilegalidade ou irregularidade nos inquéritos sobre o assunto, e insistem que a menina foi raptada e não morta.

sábado, 29 de abril de 2017

Os sete pecados capitais de Putin




Enquanto não assenta a poeira do vento frio e seco da história contemporânea, que limita o alcance das tendências e fustiga os povos aburguesados, importa marcar uma posição firme da direita moderada cristã democrática ocidental contra o expansionismo russo de Vladimir Putin.

Putin não é um líder político virtuoso. Pelo contrário, devem ser-lhe apontados sete pecados capitais:
  1. Putin é um tirano, sanguinário, antidemocratico, opressor da liberdade e perseguidor de adversários que manda abater através de assassínios cénicos com intuito pedagógico de impor o medo da sua crueldade às elites e ao povo.
  2. Putin funciona ao modo dos ditadores soviéticos do centralismo do poder ou czares russos, chamando a si a riqueza do Estado, com operacionais oligarcas que dirige para domínio económico e serviços de política externa.
  3. Putin elaborou e pratica uma política expansionista de satelitização dos países limítrofes e não se acanha de estabelecer sangrentas testas de ponte militares naqueles que resistem ao seu controlo.
  4. Putin, beneficiando da passividade dos adversários externos, avançou para o controlo de potências ocidentais, através do financiamento de aliados  na extrema-esquerda ou extrema-direita (tanto lhe faz...), após controlo por kompromat,e espionagem eletrónica (e humint...), nomeadamente nos EUA e em França (Marine Le Pen).
  5. Putin controla Donald Trump, através de kompromat antigo e dos favores de fornecimento de informação e de desestabilização da eleição presidencial norte-americana de 2016, pois, de outro modo, atendendo ao registo de comunicações da NSA e o poder da CIA, não seria possível ao magnate imobiliário ganhar a presidência (tal como hoje, pelo mesmo motivo, e nomeadamente em Portugal) é quase impossível a qualquer força da oposição ganhar eleições no ocidente
  6. Putin usa o cristianismo como instrumento ideológico de expansão meridional e como fator de embaraço das desorientadas e medrosas elites ocidentais relativistas. mais do que qualquer cruzada anti-islâmica (o Irão chiita serve-lhe de aliado no Médio-Oriente...).
  7. Putin tem a economia russa em crise estrutural, devido ao controlo estatal através da sua rede de oligarcas, e projeta o domínio de países, como a Síria, mediante a projeção militar, como meio de saque de riquezas naturais e cobrança de tributo de defesa.
Portanto, Putin não pode ser modelo político para nenhuma pessoa de bem, nem ser aliado do Ocidente que entende como adversário principal.


* Colagem picada daqui.

domingo, 16 de abril de 2017

Redenção



Na Páscoa, ocorre a redenção. Uma ressurreição da alma primitiva. Um passo mais neste trajeto variado, trôpego e sinuoso, em que seguimos por atalhos ingénuos, sobre obstáculos tamanhos e por desvios do trânsito reto. De alfa a ómega, perdemo-nos por todas as letras do alfabeto em que nos lemos gregos. Contudo, chegamos. Variadamente chegamos

Crer é ter esperança de que querer sucede. De que podemos... se. Na verdade, a perfeição tangível não é a ausência de pecado, mas a procura sincera da Graça. Engana-se o homem que supõe em si a capacidade do serviço constante da consciência e, além dele, do exercício pleno da doutrina. Isso não significa uma resignação com o pecado: corresponde à condição humana, imperfeita e limitada.

Na luta que dentro de nós damos, entre a tentação e o sacrifício, ganhamos quando a fé persiste e perdemos quando a fé amolece. E, quando caímos, cada hora é de ressurgir na fé e de reerguer a vontade sobre o prazer. A quietitude fica para o encontro final. Até lá, importa assumir a convicção cristã e trabalhar no serviço dos homens para a glória de Deus.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Geração Florzinhas de Estufa


«You are not special. You are not a beautiful and unique snowflake.» 



Por interesse cultural e ofício de professor, tenho refletido muito sobre marketing geracional, isto é, o estudo dos valores e comportamentos próprios de cada geração, e pedagogia consequente com essa distinção. A ideia de geração é de cada coorte é marcada por acontecimentos que se derem na adolescência e juventude e que os marcam para o resto da vida, gerando uma atitude própria que tende a manter-se independentemente da idade.

O caso dos distúrbios de Torremolino pelos jovens do ensino secundário em viagem de finalistas nas férias da Páscoas, referido nesta excelente crónica do Prof. Pedro Afonso, no Observador, de 12-4-2017, justifica uma reflexão profunda por parte de pais, educadores e Estado. Não é apenas o excesso do rito de passagem - que as viagens de finalistas são - que preocupa. Mas a relação dos jovens com os pais, os educadores, as instituições e o Estado.

Creio que a melhor designação da geração nascida em 1995 e depois (e que tem agora 22 anos ou menos) é a de Geração Florzinhas de Estufa. Há um excesso de preocupação com o seu bem estar emocional pelos pais e educadores. Criam e mantém os jovens em estufas de auto-estima, como florzinhas delicadas em ambiente, umas "safe zones" que só permitem medrar em condições ótimas de pressão e temperatura. O resultado é uma geração impreparada para enfrentar a dureza e impiedade da vida.

Este nome de Florzinhas de Estufa, que proponho, parece assentar melhor do que Flocos de Neve (Snowflakes), que se vai consolidando nos EUA, sobre outros nomes equívocos: Nativos Digitais, Geração da Net (Net Gen), Geração Tecnológica (Gen Tech), iGeração (iGeneration), Geração das Consolas (Gen Wii), Plurais, e até Geração Z. As fontes de informação são abundantes e não existe um consenso sobre quando começa e quando acaba cada geração. Todavia, pode arriscar-se uma divisão adequada à circunstância portuguesa e europeia: Geração dos Maduros ou Tradicionalistas (1930-1945); Geração do Pós-Guerra ou baby-boomers (1946-1963); Geração X (1964-1977); Geração Y dos Milenários-Millennials (1978-1994) e Geração Z (1995-?).

Entre outros, têm sido referidos vários factos identitários desta geração:
  1. emocionalmente muito frágeis, sentimentais e facilmente deprimidos;
  2. individualistas;
  3. empreendedores;
  4. desfocados;
  5. multi-tarefas;
  6. ambiciosos;
  7. ousados;
  8. competitivos;
  9. procuram o grátis e custos baixos;
  10. começam mais cedo a trabalhar e conciliam estudos com o trabalho (arrastando a conclusão dos cursos...);
  11. menos consumidores de drogas e álcool do que a geração anterior, mas maior excesso dos consumidores;
  12. espontâneos e instantâneos;
  13. fiéis a marcas;
  14. estilosos;
  15. globalistas;
  16. viciados em jogos digitais;
  17. permanentemente em linha;
  18. inocentes;
  19. gostam mais de videos, fotos e memes, do que postes e textos;
  20. música, música, música;
  21. direto e imediato, em vez de editado ou passado;
  22. mais Instagram, Whatsapp e Snapchat, do que Facebook ou Blogger;
  23. horror a atividades «chatas»;
  24. hoje!, hoje!, hoje!;
  25. prazer, e não frugalidade nem temperança;
  26. menos trabalhadores;
  27. procastinadores;
  28. zelosos com o seu tempo, que querem dedicados a atividades que lhes tragam prazer;
  29. maior interação virtual, consumo de serviços e experiências; do que comunicação face-a-face e acumulação de produtos (coisas).
  30. mais utilizadores do que possuidores, mais renda e aluguer do que compra;
  31. informais;
  32. privados na informação pessoal;
  33. ausentes dos meios coxos não interativos (televisão, rádio, 
  34. rústicos nas roupas e adereços, nas mobílias e espaços (hostels em vez de hotéis, Primark em vez de Zara, Lx Factory em vez de centros comerciais luxuosos);
  35. adoram viajar e aventuras de novas atividades e lugares;
  36. desprezam a política;
  37. desligados das instituições tradicionais;
  38. sozinhos, auto-educados por permissividade ou ausência dos país;
  39. menos relativistas do que os antecessores, ainda perdidos, mas à procura de direção e valores.
  40. embriões do pós-relativismo.
Este catálogo de atributos, que arrisco, são paradoxais, mas expressam a contradição a que esta nova geração está sujeita. Vivemos tempos de fim de uma era relativista, totalitária, ainda sujeitos à ditadura do politicamente correto que está em estertor e por isso é mais violenta. A fragilidade dos nossos jovens é o resultado da educação «politicamente correta».

Há sinais preocupantes de falta de preparação desta geração. Mas a comodidade será infelizmente resolvida pela guerra que vivemos e que as eliters desprezam. Até que a guerra híbrida das ruas, ainda morna, aqueça, será útil que o ambiente mediático relativista, os pais e os educadores e as autoridades (nomeadamente, nas regras de consumo de álcool e drogas!) não podem deixar de ser... pais e educadores e autoridades! Nem os jovens desprezarem a sua responsabilidade. Contudo, nesta nova geração, o saldo de qualidades sobre defeitos é positivo, principalmente para a construção de uma nova era pós-relativista.


Atualização: este poste foi atualizado às 11:52 de 16-4-2017 e às 9:52 de 17-4-2017.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Páscoa: martírio e combate



Ontem, 9-4-2017, Estado Islâmico da Síria e do Levante atacou duas igrejas no Egipto durante a celebração do Domingo de Ramos, através de bombistas suicidas, matando 44 cristãos e ferindo mais de uma centena. Os atentados foram perpetrados na Catedral de São Marcos em Alexandria (cuja missa estava a ser transmitida, em direto, na televisão egípcia quando ocorreu a explosão)  e na Igreja de São Jorge, em Tanta, ambas no Egipto. Lembrei-me da anáfora do padre Lereno, na Rádio Renascença dos perigosos tempos pós-revolucionários: «Cristo é crucificado hoje!». É: a Páscoa chegou mais cedo... A morte teve uma vitória, temporária.

São atentados lá longe, que o racismo cínico despreza: os 5 mortos da Suécia provocaram mais notícias e consequente indignação do que os 44 do Egipto... Noticiar massacres de cristãos é politicamente incorreto... 

O genocídio e a limpeza étnica dos cristãos - coptas, maronitas, gregos-melquitas, siríacos, caldeus e arménios - do Médio-Oriente continua no Egipto, depois do Líbano, do Iraque e da Síria. Os cristãos foram os sacrificados da aventura geopolítica norte-americana e europeia de regime change, para travar a influência iraniana. Como se o desastre iraquiano nada tivesse ensinado a Obama e aos líderes europeus, que fomentaram as chamadas «primaveras árabes» que devastaram os países em guerras civis de iniciativa sunita radical e abandonaram os cristãos ao azar do martírio. A guerra na Síria tem origem não apenas no financiamento dos países sunitas da Arábia, mas também no apoio militar norte-americano.



Putin aproveita o vazio e o medo, alargando as fronteiras russas na Europa, alcançando a velha ambição de chegar ao mar quente através da aliança ruso-chiita com o Irão, os 65% de iraquianos chiitas, a Síria dos alauítas de Assad e o Líbano do Hizbala - até com o novo sultão Erdogan (ao modo do Imperador Ivan III. Não se contenta com isso, e influencia as eleições norte-americanos, com chantagem sobre a administração Trump, enquando financia, e ajuda na informação, a extrema-direita europeia. Uma extrema-direita fascinada com o autoritarismo de Putin e esquecida de que este é... russo.



Nada de novo. Em 1978-1979, Giscard d'Estaing, ávido do controlo do petróleo pérsico por empresas francesas, e depois, James Carter, um pacifista ingénuo, descalçaram os militares e aliaram-se ao manhoso aiatola Khomeini, arriscando a o apoio ao clérigo que desencadeou a revolução islâmica no Irão. O Próximo-Oriente ficou mais longe, e atolado em conflitos étnico-religiosos.

A desumanidade do Islão radical tem de ser revertida. É necessário promover a reforma do Islão, atualizando a doutrina bélica original do Corão e dos Ditos para uma versão pacífica e respeitadora dos crentes de outros ritos e religiões e dos não-crentes. Um combate cultural e político para enfrentar a guerra híbrida das ruas europeias e das redes de comunicação mundiais. Em vez da negação da ameaça da ideologia radical e da expetativa de que os serviços de informação e as polícias resolvam o problema, investigando virtualmente e detendo umas dezenas de indivíduos... É uma patetice, pensar que o mal se limita ao isolar meia dúzia de árvores contaminadas, negligenciando a moléstia que afeta a floresta. Para lá da repressão dos atentados, é a ideologia que importa combater. Islão significa «submissão» - a paz da doutrina fundamentalista é uma falácia.

E não se pode esperar que sejam os governos dos países do cordão islâmico, que está a apertar a cintura do globo até rebentar, porque são eles mesmos poderes quem promove a leitura radical dos textos fundamentais como instrumento político de domínio do povo e ameaça dos países adversários. A reforma cultural deve desenvolver a exegese pacífica da doutrina e resolver o nó-górdio do conflito islâmico com o norte do globo: a emancipação da mulher - como indica Bernard Lewis.  Só com a reforma religiosa do Islão e a reforma cultural das sociedades agora sujeitas a ditaduras de comportamento em que a mulher é um ser inferior e o não-crente um subalterno, se pode vencer a III Guerra Mundial em curso.

O padrão de governo não pode ser o califado com uma sociedade civil submissa. A reforma do wahabismo, versão do Islão que a Arábia incentiva - comparada à Reforma luterana -, acentuou a severidade fundamentalista da doutrina. A reforma religiosa será um meio de laicização da sociedade muçulmana, com o poder político separado do poder religioso, com liberdade de culto e de vida, com a ciência, a cultura e as artes, alforriadas do grilhão arcaico, a economia a renascer e o bem estar a emergir.

Um combate cultural e político do Ocidente contra o Islão radical, semelhante ao que derrubou o poder comunista no mundo. No mundo... à exceção de Portugal, aparentemente esgotado pela mama da cobra comunista que nos vai infestando as fazendas, engolindo os valores e estrangulando a liberdade...

domingo, 26 de março de 2017

A necessidade de refundação da direita portuguesa



A convição esquerdista nos costumes não é o único mal das direções atuais do PSD de Passos Coelho e do CDS da delegada Assunção Cristas. Sem efeito, os jotas eternos poderiam crer nas barrigas de aluguer, no aborto livre, na adoção de crianças por casais homossexuais, no casamento homossexual, na eutanásia e na liberalização das drogas... Mas essa convicção íntima, de modernidade, de finesse politicamente correta - assim à moda de Teresa Leal Coelho, mas sem doideira -, não tinha de ser aplicada, tendo em conta o posicionamento conservador do povo da direita. Até porque a conjuntura internacional mudou e o totalitarismo do politicamente correto está moribundo.

O problema maior é a ideia entranhada nos políticos profissionais da direita de que se não recolhem a preferência dos cidadãos é por causa de não serem suficientemente iguais ao adversário nos costumes liberais. Essa ideia tacticista enleva os aparelhistas dos partidos da direita à histeria coletiva de adesão techno aos valores da esquerda radical, ao mesmo tempo que se esforçam a tentar demonstrar que são mais austeritários no Governo. O que também não agrada ao povo, que tem a memória mais viva do aperto da troika do que do despesismo socratino.

Ora, quando a esquerda radical, sucede, pela manha costista, em manter o pagamento de salários, pensões e subsídios, em reduzir o défice orçamental face ao PIB em 2016 para 2,06%, e com a economia a andar até acima da média dos países do euro (1,9% de crescimento homólogo no último trimestre de 2016), se a proposta de costumes é a mesma, o que resta de posicionamento diferente de PSD e CDS?... Noves fora, nada.

A direita portuguesa precisa de uma refundação: uma inequívoca proposta política conservadora nos costumes e uma prática política anticorrupção.


* Imagem picada daqui.